Qual é o seu grupo?
Abra o endereço do seu grupo. Guarde este link: é nele que o caderno de vocês fica salvo.
Como funciona o trabalho de hoje
Vocês ficam com um caso o dia inteiro. Ele chega em camadas, e a cada camada nova vocês revisam o que já tinham escrito. Nada do que foi escrito antes se apaga.
Nenhuma sugestão de conduta antes de a formulação estar pronta. Vale até a rodada 5. Antes disso, a pergunta é sempre o que mais isso poderia ser.
Duas coisas só precisam estar definidas em cada rodada: quem escreve, que é quem está com a tela compartilhada, e quem apresenta no retorno.
O caderno fica guardado no navegador de quem digita. Salvem o PDF ao fim de cada rodada, não só no fim do dia.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Técnico em TI numa empresa de software, em home office desde 2023. Mora com a namorada há quatro anos, em apartamento alugado. Diagnóstico de TDAH aos 29 anos, acompanhado por psiquiatra do convênio, em uso de metilfenidato LA 54 mg pela manhã.
Escrito à mão no receituário: TDAH refratário, não responde mais ao metilfenidato. Avaliar troca de medicação e apoio psicoterápico para organização.
Diz que o remédio "não faz mais efeito". Esquece compromissos, perde prazos, chega atrasado. Perdeu dois empregos em três anos, os dois por entrega. Anda irritado, dorme mal e acorda cansado.
"Ele não presta atenção em nada que eu falo. Eu repito três vezes."
Esta rodada abre junto com a camada 1.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Primeira sessão, segunda metade. A namorada entrou a pedido dele. Atendimento pelo convênio.
Cerca de dez minutos depois, falando de trabalho.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 2.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Segunda sessão. Ele trouxe boletins antigos que a mãe guardava numa pasta.
Aluno inteligente, porém disperso. Não conclui as atividades propostas. Conversa excessivamente durante a aula. Esquece o material com frequência.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 3.
Esta camada abre com a frase que o professor disser em voz alta.
Terceira sessão, em janeiro. A namorada voltou a participar.
Escolham uma pergunta desta sessão que vocês fariam diferente, e reescrevam. Na síntese vocês vão ver quais eu plantei com defeito de propósito.
Seis jeitos de reformular uma pergunta
Pergunta que se responde com sim ou não devolve sim ou não. Troque por me conta como foi.
Em vez de com que frequência, peça a última vez que aconteceu, com data e contexto.
Quando o rótulo emocional não vem, pergunte o que a pessoa sente no corpo naquela hora.
Desde quando, o que veio antes, começou de uma vez ou aos poucos, tem período em que não acontece.
Em vez de isso te atrapalha, pergunte por faltas, brigas, advertências, contas atrasadas.
Não peça ao paciente que julgue se tem um problema. Peça o que aconteceu.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Onde a formulação vira cadeia. Preencham cada domínio em uma ou duas frases, e depois liguem tudo no encadeamento.
Ver um exemplo de encadeamento
De um caso qualquer, que não é o de vocês. Serve só para mostrar o formato.
Chega em casa exausta e sem nada combinado para a noite, o que leva a ligar a TV e rolar o celular no sofá, o que leva a adormecer tarde e fora da cama, o que leva a acordar sem descanso e atrasada, o que leva a um dia de baixo rendimento e muita autocrítica, o que devolve ao primeiro elo: mais exaustão e menos plano para a noite seguinte.
Alça de fora: quando ela está assim, o companheiro assume as tarefas da casa. Isso reduz a exigência imediata e faz o padrão custar menos do que custaria, o que ajuda a mantê-lo.
Três coisas que fazem a diferença. Comece pelo gatilho concreto, não por um estado geral: chega em casa exausta, e não tem ansiedade. Termine voltando ao primeiro elo, porque é o retorno que transforma uma lista em ciclo. E separe as alças que vêm de fora, feitas por outras pessoas, das que a própria pessoa fecha sozinha.
Depois de escrever a cadeia, releia procurando o elo em que uma mudança pequena mudaria o resto. Esse é o que vai para o campo seguinte.
Ver dois exemplos de como escrever
De casos quaisquer, que não são o de vocês. O que importa é o formato.
chegar em casa exausta dispara ligar a TV no sofá ligar a TV no sofá mantém dormir tarde dormir tarde mantém acordar sem descanso acordar sem descanso dispara chegar em casa exausta
O último elo volta ao primeiro. É isso que transforma uma lista em ciclo.
cobrança no trabalho dispara autocrítica, que mantém procrastinação, que agrava a cobrança no trabalho companheiro assume as tarefas mantém procrastinação combinar horário de encerramento atenua procrastinação
A primeira linha é a cadeia inteira. A segunda é o que vem de fora e sustenta. A terceira marca onde entrar, e sai tracejada no desenho.
Quatro coisas que fazem a rede sair boa. Repitam exatamente o mesmo termo quando for o mesmo processo, senão viram dois blocos. Fiquem entre quatro e seis nós: rede grande vira emaranhado e deixa de orientar a conduta. Fechem o ciclo voltando ao primeiro elo. E usem atenua ao menos uma vez, para marcar onde uma mudança pequena moveria o resto.
Esta rodada abre junto com a camada 4.
Terminaram uma rodada?
Baixe o caderno como está agora. O arquivo traz tudo o que vocês escreveram até aqui, com o nome do grupo e a data.
Síntese do caso
Aqui fica a leitura do professor sobre este caso, lado a lado com o que vocês escreveram: o percurso esperado, onde o material empurrava para o lado errado, o que decide, a ordem de prioridade e as perguntas da entrevista.
Ela abre quando o caderno estiver completo e o professor der o código.
Lado a lado
À esquerda, o que o grupo escreveu. À direita, como eu formulei o mesmo caso. Onde as duas colunas divergem é o que vale discutir.
Transtorno por uso de álcool. A favor: quatro a seis latas todas as noites há dois anos, uso funcional para dormir, duas faltas em segundas, omissão ao psiquiatra. Contra: ele nega prejuízo. Falta saber: tentativas de reduzir, sintomas matinais, uso de outras substâncias.
Apneia obstrutiva do sono. A favor: ronco alto com pausas observadas pela namorada, sono não reparador, ganho de onze quilos, álcool noturno. Contra: nunca investigado. Falta saber: polissonografia.
Episódio depressivo. A favor: desânimo noturno, parou de sair com amigos. Contra: some nos doze dias sem álcool, sem tristeza persistente, sem história prévia.
O estimulante perde efeito nesse cenário, e ele lê a perda de efeito como falha do remédio, não como consequência do uso, o que mantém a busca por troca de medicação em vez de mudança de comportamento.
Ganho de peso e álcool noturno agravam um provável quadro respiratório do sono, que fecha o ciclo por outro caminho: sono não reparador mesmo nas noites sem bebida.
O home office sem horário nem supervisão mantém tudo funcionando sem freio externo.
Em paralelo, uma segunda alça: ganho de peso mais álcool noturno agravam a obstrução respiratória, o que produz sono não reparador mesmo nas noites sem beber, e isso sustenta a fadiga que ele credita ao remédio.
Em segundo lugar, o sono orgânico, via polissonografia, porque ele mantém a fadiga mesmo se a bebida cair.
Não começar pela desatenção: sem sono e sem redução do uso, qualquer treino de organização vai fracassar e confirmar a regra de que o problema é o remédio.
Sustenta: a alça uso, sono fragmentado, desatenção, mais uso.
Indicador: doses por semana e número de noites sem uso, no registro diário.
2. Encaminhamento para investigação de apneia.
Sustenta: ronco com pausas observadas, sono não reparador, ganho de peso.
Indicador: laudo de polissonografia em até seis semanas.
3. Estrutura externa de horário e de ambiente de trabalho.
Sustenta: home office sem freio externo.
Indicador: horário de início e de fim registrados, cinco dias por semana.
4. Comunicação escrita com o psiquiatra sobre o volume real de uso e sobre a resposta ao estimulante.
Sustenta: refratariedade aparente ligada ao uso e à interação.
Indicador: reavaliação medicamentosa documentada em seis semanas.
Como eu perguntaria: Me conta como foi a bebida da semana passada, dia a dia, do fim do expediente até dormir.
Movimentos que eu marcaria: tranquilizou cedo demais · propôs conduta antes da formulação · deixou passar uma fala importante
Trecho: "Isso de perder emprego acontece com muita gente." E, logo depois, "você já tentou dormir mais cedo?"
Como eu perguntaria: Separaria em três perguntas curtas, uma por vez, sem oferecer o exemplo junto: como você se sentia em relação a si mesmo naquelas semanas; o que você fez com dinheiro; alguém comentou algo sobre o seu jeito de falar.
Movimentos que eu marcaria: falou de si sem devolver
Trecho: "Eu também já virei semanas assim numa entrega, sei bem como é." Ele responde só "pois é".
Como eu perguntaria: A pergunta está boa. Acrescentaria uma antes dela: o que te fez não contar. A resposta, ninguém perguntou, diz mais sobre o cuidado que ele recebeu do que sobre ele.
Movimentos que eu marcaria: validou de forma específica
Trecho: O terapeuta organiza os doze dias e devolve a evidência sem interpretar por ele.
O percurso esperado
A âncora é "TDAH refratário". Quase todos vão discutir troca de medicação.
Três coisas competem: o álcool, as duas semanas de setembro e o desânimo noturno. É a camada em que os grupos se dispersam, e é para isso que ela serve.
O TDAH se confirma como legítimo. As duas semanas se desfazem: prazo, cafeína, sem euforia, sem grandiosidade, recuperação imediata.
A abstinência parcial responde: sono, irritabilidade e desânimo melhoram; a desatenção não. E o ronco entra como terceira frente.
Onde o caso empurrava para o lado errado
Parece hipomania. Não é: prazo, cafeína alta, sem elevação do humor, sem grandiosidade, recuperação com sono longo. Espere metade dos grupos abrir hipótese de bipolar aqui, é o efeito desejado.
Parece depressão. Some nos doze dias sem álcool e volta com ele. É consequência, não quadro independente.
Não levam a lugar nenhum. Servem para que nem tudo no material seja relevante.
Evidências que serviam a mais de uma hipótese
- IrritabilidadeTDAH · abstinência · humor
- Sono fragmentadoálcool · TDAH · apneia
- EsquecimentoTDAH · efeito do álcool
- Ganho de pesoálcool · sedentarismo · risco de apneia
O que resta quando o álcool sai? Sono, irritabilidade e desânimo melhoraram; a desatenção não.
Álcool primeiro, junto com investigação de apneia (polissonografia). Sem sono recuperado não é possível avaliar resposta ao estimulante. Reavaliar TDAH em 4 a 6 semanas, com medida repetida (MBC).
Concluir "não é TDAH, é álcool" erra tanto quanto manter só TDAH. E o grupo que ignorar o ronco perde uma condição médica tratável que explica parte da queixa.
A postura do terapeuta
Alguns movimentos foram plantados de propósito, certos e errados. Confiram com o que vocês marcaram em cada camada.
"Isso de perder emprego acontece com muita gente, não se cobre tanto." Normalização genérica antes de entender o que a perda significou para ele. Ele responde defendendo o próprio sofrimento: "mas eu perdi dois". No lugar: devolver o detalhe dele e nomear o que não foi dito, algo como perder dois em três anos deve ter mexido com a ideia que você tem de si no trabalho.
"Você já tentou dormir mais cedo?" é intervenção antes de qualquer formulação, e no primeiro terço da primeira sessão. Fecha a exploração do sono e recebe a resposta que merece: já tentei, não adianta. No lugar: perguntar como é a noite dele, do fim do expediente até dormir.
A namorada diz que ele "para de respirar" dormindo. O terapeuta não pega, e o assunto só volta duas sessões depois, porque ela insiste. Um dado trazido por informante, sobre risco físico, pede pelo menos uma pergunta no mesmo turno.
"Eu também já virei semanas assim numa entrega." A autorrevelação vem antes de qualquer normalização e não volta para a experiência dele: o paciente responde só "pois é". No lugar: normalizar primeiro, revelar pouco, e devolver a palavra no mesmo turno.
Grandiosidade, gasto, fala acelerada, café. Quatro perguntas específicas que derrubam a hipótese de bipolar em menos de um minuto. É o modelo de pergunta que fecha porta em vez de confirmar o que já se pensa.
O terapeuta organiza os doze dias e devolve a evidência sem interpretar por ele. A resposta, "quando você põe assim, é isso mesmo", é sinal de que a formulação está sendo construída junto, não entregue pronta.
As perguntas da entrevista
Pergunta fechada que aceita "socialmente" como resposta. O terapeuta insiste e chega ao número, mas a primeira formulação da pergunta convida à minimização. Melhor: "me conta como foi a bebida da semana passada, dia a dia".
Pergunta de autoavaliação num quadro em que a minimização é regra. Ele responde não e dez minutos depois contradiz. Melhor perguntar por marcadores objetivos: faltas, brigas, dirigir.
Ninguém perguntou sobre tentativas de reduzir, sobre sintomas matinais, nem sobre uso de outras substâncias. E o ronco só entra porque a namorada insiste, não porque foi perguntado.
Compare com o que vocês escreveram
Levem o dia inteiro com vocês
Um documento só, com tudo o que o grupo construiu nas cinco rodadas e, na sequência, a leitura do professor lado a lado.
Lógica Psicológica · Prof. Júlio Gonçalves, MSc. · CRP 12/17614
Casos construídos para fins didáticos.